Palestra recorda Agostinho da Silva

Na tarde ensolarada do passado sábado, 18 de fevereiro, pelas 15h30, o Auditório da Praceta de Agadir, em Olhão, encheu-se para assistir a uma palestra que recordou a vida e obra de Agostinho da Silva, pela voz de Maria Luísa Francisco e Renato Epifânio.

Na semana em que se assinalaram 111 anos do seu nascimento (13 de fevereiro de 1906 – 3 de abril  de 1994), a Universidade Sénior de Olhão dedicou a sua palestra mensal ao filósofo, poeta e ensaísta português, que se afirmou pelo pensamento arrojado e alcançou grande notoriedade pública no histórico programa de entrevistas da RTP, emitido em 1990, “Conversas Vadias”.  

A reitora Cândida Cativo abriu a sessão, dando as boas vindas aos palestrantes convidados e apresentando-os numa breve nota biográfica.

Maria Luísa Francisco (Coordenadora Regional do Movimento Internacional Lusófono e Vice-Diretora da Revista Nova Águia, entre muitas outras funções) protagonizou a primeira intervenção, na qual referenciou a ligação de George Agostinho da Silva a Olhão por via da família paterna.

A oradora destacou o percurso de vida do filósofo, repartido entre Portugal, a América Latina e o Brasil, país onde viveu 25 anos. Maria Luísa Francisco sublinhou “o enorme e cativante sentido de humor” de Agostinho da Silva “que não deixava ninguém indiferente” e as marcas deixadas nos seus contemporâneos, através da afirmação da sua linha de pensamento, transversal ao campo político, espiritual e poético. Para o liberal pensador português, que defendia a simbiose da cultura luso-afro-brasileira, cada ser humano era um único e original “heterónimo de Deus”.

Renato Epifânio (Doutorado em Filosofia, especialista em Agostinho da Silva, professor universitário e membro da direção de vários institutos e associações e diretor da Revista Nova Águia, só para abreviar o extenso currículo) prosseguiu a conversa com excertos do enorme legado deixado por Agostinho da Silva, “um autor vivo”, segundo o orador.

Retornando às origens do filósofo, o palestrante referiu que Agostinho da Silva dizia ter nascido no Porto “por erro cósmico”, tendo assumido Barca de Alva, onde passou a primeira infância, como a sua terra de origem.

Ao escolher uma palavra para resumir Agostinho da Silva, Renato Epifânio elegeu “Lusofonia”, destacando o grande repto deixado pelo filósofo para “uma fraternidade entre todos os povos de língua portuguesa”. “Que cada um se torne naquilo que é, sendo sempre fiel a si próprio e à sua singularidade”, foi sempre o desafio maior proposto pelo filósofo da liberdade.

Numa elucidativa palestra de duas horas, houve ainda lugar para intervenções do público e o visionamento de um breve vídeo que serviu para recordar excertos de algumas das saudosas intervenções televisivas de Agostinho da Silva. 

A encerrar a agradável e profícua tarde cultural, o presidente da Freguesia de Olhão, Luciano Jesus, saudou os intervenientes e agraciou a sua presença com a oferta simbólica de uma réplica do caíque olhanense “Bom Sucesso”.        

20.02.2017