Palestra evocou o poeta António Aleixo

Na tarde do último sábado, 18 de março, no Auditório da Praceta de Agadir, realizou-se mais uma palestra mensal promovida pela Universidade Sénior, com o apoio da Freguesia de Olhão. Desta vez, o tema versou sobre o maior nome da poesia popular portuguesa – o eterno António Aleixo.

Na ausência do presidente da Freguesia, Luciano Jesus, por motivos de agenda, a sessão foi aberta pela reitora Cândida Cativo, que deu as boas-vindas à dinamizadora da palestra, a professora e investigadora Henriqueta Silva.

Começando pelo nascimento do poeta algarvio, em Vila Real de Santo António, no ano de 1899, a oradora contextualizou a realidade da época que levou o pai, José, a ir trabalhar para a indústria conserveira. Mais tarde, convidado a ser operário têxtil, mudou-se para Loulé, que viria a ser a cidade de acolhimento da família Aleixo.

Henriqueta Silva, recordou que, apesar de ter deixado a escola na 3ª classe, António Aleixo desde cedo revelou talento para inventar quadras e as cantarolar, o que lhe começou a valer convites para animar festas populares. Tendo começado a trabalhar desde muito cedo, a pobreza sempre foi uma constante na sua vida, bem como os problemas de estômago, devido à sua carente alimentação. Homem dos sete ofícios, António Aleixo foi, entre outras coisas, operário fabril, polícia, guardador de cabras e cauteleiro, trabalho que abraçou para o resto da vida.

De acordo com Henriqueta Silva, foi em 1937 que António Aleixo conheceu aquele que viria a ser o seu mentor, o professor benemérito Joaquim de Magalhães que, júri nuns jogos florais, se encantou com a beleza espontânea e assertiva das quadras do poeta. Será ele o responsável pela compilação do 1º livro “Quando começo a cantar”, editado em 1943, pelo círculo cultural do Algarve.

E assim começou a carreira literária de António Aleixo, que já não durou muito, pois a tuberculose levou-lhe a vida com apenas 50 anos, em 1949. Mas, segundo escreveu o próprio poeta, “às vezes depois da morte é quando a vida recomeça”. E assim se tornou eterno, o poeta que fez da vida a sua escola, deixando um enorme legado de sabedoria popular em verso.

Antes de terminar, a oradora revelou ter confirmado algumas das informações com descendentes do poeta, nomeadamente com o neto, Vitor Aleixo, atual presidente da Câmara de Loulé.

Partilhada mais uma grande lição de história, Henriqueta Silva foi agraciada com o símbolo maior do orgulho olhanense, uma réplica do caíque “Bom Sucesso”, oferecido pela reitora Cândida Cativo, em nome da Freguesia de Olhão. 

21.03.2017